
James McAvoy e Anne Hathaway em cena de "Becoming Jane"

Em 'Becoming Jane', Anne Hathaway brilha na pele de Jane Austen
O que se sabe sobre Jane Austen: nasceu em família de origem nobre mas de poucos recursos, escreveu seis romances, tornou-se um os maiores nomes da literatura de língua inglesa, jamais se casou e morreu jovem, aos 41 anos. Desse fiapo de informação, mais adequado a ensaios acadêmicos do que a filmes, os roteiristas Sarah Williams e Kevin Hood, vindos da boa escola da TV britânica, escreveram uma adorável e romântica especulação histórico-literária. Nas mãos do diretor Julian Jarrold, seu colega de TV, a especulação se tornou “Becoming Jane”, uma espécie de “Shakespeare apaixonado” em tom feminino.
Guiando-se pelos incidentes menores na vida da jovem Jane Austen, utilizando-se das cartas que escreveu para a irmã, Cassandra, e do que ela revela de si mesma em um de seus mais celebrados trabalhos, “Orgulho e preconceito” (adaptado para o cinema por Joe Wright em 2005), de 1813, “Becoming Jane” traça a hipótese de que o personagem Darcy, de “Orgulho”, foi inspirado por uma verdadeira paixão da autora, o jovem advogado Tom Lefroy. E que, impossibilitada de consumar esse amor pelos entraves sociais da época, Austen lhe deu um final feliz no livro -- e, coerente com seus princípios, jamais se casou, optando por viver de seu trabalho e não dos complexos esquemas matrimoniais sonhados por sua mãe. Seguindo uma tendência curiosa dos diretores ingleses, Jarrold deu o papel principal de seu filme, a sua Jane Austen, a uma americana, Anne Hathaway. Em troca do privilégio de viver um ícone da literatura britânica, Jarrold, tirou dela um desempenho sólido e sutil, que vai surpreender quem se lembra dela apenas como a tonta vítima da tirania de Meryl Streep em “O diabo veste Prada”. O simpático James McAvoy (de “O último rei da Escócia”) se desincumbe bem do farrista e sedutor Lefroy, e um elenco de notáveis dos palcos ingleses – com destaque para Maggie Smith, perfeita como uma lady ciente de seu poder. Eles compõem a família, amigos e pretendentes de Jane (o americano James Cromwell, contudo, é seu sisudo mas sincero pai). “Becoming Jane” não é o tipo de filme que muda o mundo, mas, executado com a correção e atenção ao detalhe que marcam as boas produções britânicas, pode, quem sabe, levar uma nova geração a descobrir os prazeres da literatura.
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