
A chegada de uma jovem professora alegra uma professora solitária e dominadora, pois logo se tornam amigas. Porém quando a novata se envolve com um de seus alunos, a veterana ameaça revelar seu segredo para todos. Com Judi Dench, Cate Blanchett e Bill Nighy. Recebeu 4 indicações ao Oscar.
4 comentários:
"Judi e Cate como de costume assombram, encantam, emocionam e hipnotizam com suas atuações impecáveis."
Cate e Judi vivem a beleza e a arrogância. Um filme como poucos, ousadamente charmoso e perigosamente adorável do começo ão fim, digno de Oscars."
O amargor do velho contra o frescor da juventude; o cinismo do desamor contra a exacerbada capacidade da paixão; a crueldade fria contra o calor destemperado dos sentimentos; ou simplesmente o embate entre duas grandes atrizes. Há várias maneiras de se ver Notas Sobre um Escândalo e todas bastante prazerosas.
A partir do livro de Zoe Heller, o roteirista Patrick Marber (também autor da peça e do roteiro que originaram o filme Closer – Perto Demais) desenvolveu esta densa trama de ciúmes e vingança protagonizada por duas professoras de uma escola inglesa: a veterana Barbara Covett (Judi Dench) e a novata Sheba Hart (Cate Blanchett). Desencantada a cínica, Barbara não faz grandes planos. O “planejamento” anual de seu curso na escola St. George se resume a um único parágrafo, desdenhando qualquer possibilidade de mudanças futuras. Em contraposição, a entusiasmada professora Sheba é toda coração. Até no sobrenome. Ambas se aproximam e se tornam amigas, mas logo Bárbara descobre um segredo de Sheba, o qual a velha professora não hesitará em transformar em instrumento de coação e chantagem contra a nova “amiga”. Porém, o que Bárbara quer Sheba não pode lhe dar: uma alma mais leve e feliz. A tensão entre ambas se torna cada vez mais insustentável.
O diretor Richard Eyre (que já havia dirigido Judi Dench em Íris) tomou a decisão mais óbvia e sábia possível: apostou todas as suas fichas nas duas grandes protagonistas. O filme é delas. Praticamente, não havia como errar: Judi e Cate representam o que há de melhor em suas gerações, dão banhos de interpretações, sabem ser contidas e/ ou exacerbadas nas medidas certas e emprestam ao filme uma credibilidade ímpar. Isso sem falar na bem-vinda presença coadjuvante de Bill Nighy, outro monstro britânico da interpretação.
Notas Sobre um Escândalo foi indicado aos prêmios Oscar de Roteiro Adaptado, Melhor Atriz para Judi Dench, Atriz Coadjuvante para Cate Blanchett e Trilha Original. Não ganhou nenhum. Ora, o Oscar...
Notas sobre um Escândalo
Podemos dizer que "Notas sobre um escândalo" é um filme de junções: o melhor filme de Judi Dench ("Shakespeare Apaixonado"), Cate Blanchett ("Babel") e do diretor Richard Eyre (que já havia feito os excelentes "Íris" e "A Bela do Palco"). Aliás, com a junção de três figuras tão competentes em um roteiro do mesmo autor da peça que originou o filme "Closer - Perto Demais", não é de se assustar que "Notas..." seja tão bom.
Judi interpreta Bárbara, uma amarga professora de história de um colégio mediano dos EUA. Sempre muito só, Bárbara logo se afeiçoa por Sheba (Cate), a nova professora de Artes. Essa afeição inicial que se caracterizaria como uma amizade vinda de uma pessoa solitária para outra que acaba de chegar na escola muda de figura quando somos apresentados ao sentimento amoroso que Bárbara desenvolve por Sheba, vendo nela inúmeras características que a colocam acima da média das outras mulheres com quem convive.
Em um evento do colégio, Bárbara se depara com o inimaginável: Sheba está tendo um caso com um jovem aluno de 15 anos. O que poderia ser um imenso escândalo, Bárbara usa a seu favor: torna Sheba eterna refém deste segredo, mostrando-a que a única pessoa em que ela pode confiar é nesta velha e amarga professora de história (que relata todos os fatos de sua vida através de notas em um diário, daí o título). Estabelecido isso e tendo como entrave o desequilíbrio emocional da personagem de Cate (aliado a um interesse pelo novo aluno) o filme se desenvolve de maneira exemplar como um intenso jogo de manipulação, onde nunca fica claro quem abusa de quem: seria o jovem aluno da frágil professora? Seria a professora do aluno inexperiente? Ou seria da velha Bárbara abusando das fraquezas de Sheba?
Dando um tom perfeito das nuances de cada personagem: Sheba é a frágil e desequilibrada professora. Poderíamos qualificá-la como uma doente por se envolver com um jovem de 15 anos? Ou realmente um interesse mútuo poderia existir ali sem o tom de "abuso"? Enquanto isso Bárbara é um personagem que sempre viveu a margem das outras pessoas, nunca sendo compreendida por sua forma de demonstrar afeto, transformando-se em prisioneira de sua própria necessidade de atenção. Richard Eyre constrói um clima contínuo de apreensão até o clímax primoroso e real, onde leva o espectador a questionar se a opinião pública é realmente justa em escândalos como estes.
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