terça-feira, 24 de abril de 2007

Moulin Rouge - Amor em Vermelho


O diretor Baz Luhrmann (Romeu e Julieta) conta a história de um jovem poeta que se apaixona pela principal cortesã de Paris e estrela de uma badalada boate. Com Ewan McGregor, Nicole Kidman e John Leguizamo. Vencedor de 2 Oscars.

2 comentários:

cinema disse...

De acordo com o Hollywood Film Festival, é o filme do ano! E tem méritos para isso. Vibrante, diferente, alucinante, exagerado, barroco e histérico, Moulin Rouge é uma experiência cinematográfica das mais ousadas e criativas das últimas temporadas. Não exatamente pela história que conta – até certo ponto bastante convencional –, mas principalmente pela forma eletrizante que o diretor australiano Baz Luhrmann (o mesmo de Romeu + Julieta) encontrou para narrá-la.

O primeiro grande desafio: fazer um musical, gênero decadente há mais de 50 anos. O segundo: abandonar por completo a temporalidade da trilha sonora. Ou, em outras palavras, musicar uma trama ambientada no início do século 20 com canções popularizadas nas vozes de Marilyn Monroe, Madonna, Whitney Huston ou Elton John. A mistureba poderia ter saído das mais indigestas. O resultado poderia facilmente desabar para o ridículo. E o investimento de US$ 52 milhões na produção poderia ter ido por água abaixo.

Felizmente, Baz aceitou os desafios e acertou a mão. Moulin Rouge é uma estilização exageradamente deliciosa. Usa e abusa do “over” em todos os sentidos: dos figurinos à direção de arte (vermelhíssima); das interpretações à alucinante montagem em estilo de videoclipe. Tudo é muito rápido, agitado, a um passo do esquizofrênico. É como se os personagens do desenho Animaniacs tivessem invadido o famoso cabaré francês freqüentado por Toulouse Lautrec. É pura adrenalina no bairro boêmio.

O roteiro, novamente assinado por Baz Luhrmann e Craig Pearce (os dois escreveram juntos Vem Dançar Comigo e Romeu + Julieta) fala de Christian (Ewan McGregor), um jovem escritor que se apaixona por Satine (Nicole Kidman), a mais famosa dançarina do cabaré Moulin Rouge. Como acontece no clássico, Cyrano de Bergerac, um mal-entendido faz com que a ambiciosa Satine seja seduzida pelas belas palavras de Christian, sem que ela saiba que o rapaz na realidade é um pobretão. Num dos melhores momentos do filme, a música fala pelos dois. Ela, materialista, acredita fielmente que “diamonds are a girl’s best friend”, enquanto ele, romântico, prega que “all you need is love”.

Desfeito o mal-entendido, Moulin Rouge abandona seu estilo Cyrano e parece se inspirar em filmes como o espanhol Ai, Carmela! ou em Ser ou Não Ser, de Ernest Lubitsch. Agora, a ênfase está no espetáculo, no show que não pode parar. Jamais.

E no que depender de Luhrmann, não vai parar mesmo. Até o minuto final da projeção.

Sil disse...

Muito dificilmente algum outro diretor conseguirá o feito de "Baz Luhrmann".
Na minha opinião, um dos melhores musicais de todos os tempos, vibrante, arrojado, envolvente, sensual e belo.