quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Zodíaco



1º de agosto de 1969. Três cartas diferentes chegam aos jornais San Francisco Chronicle, San Francisco Examiner e Vallejo Times-Herald, enviadas pelo mesmo remetente. A carta enviada ao Chronicle trazia a confissão de um assassino, dando detalhes da morte de 3 pessoas e da tentativa de homicídio de outra, com informações que apenas a polícia e o assassino poderiam saber. As três cartas formavam um código que supostamente revelaria sua identidade ao ser decifrado. O assassino exigia que as cartas fossem publicadas, caso contrário mais pessoas morreriam. Um casal de Salinas consegue decodificar a mensagem, mas é Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal), um tímido cartunista editorial, que descobre sua intenção oculta: uma referência ao filme "Zaroff, o Caçador de Vidas" (1932). Os assassinatos e as cartas se sucedem, provocando pânico na população de San Francisco. A situação faz com que os detetives David Toschi (Mark Ruffalo) e William Armstrong (Anthony Edwards) e o repórter Paul Avery (Robert Downey Jr.), que trabalham no caso, tornem-se celebridades instantâneas. Graysmith, que trabalha no mesmo jornal de Avery, apenas ajuda quando lhe é permitido. Mas o Zodíaco, como o assassino era chamado, estava sempre um passo a frente.

Quarteto Fantástico e o Surfista Prateato


Reed Richards (Ioan Gruffudd) e Susan Storm (Jessica Alba) estão prestes a se casar. Porém, durante a cerimônia, algo estranho surge nos céus de Nova York. Trata-se do Surfista Prateado (Doug Jones), um ser alienígena que possui grandes poderes e que trabalha como arauto de Galactus, o destruidor de planetas. O Surfista veio à Terra para prepará-la para ser destruída por seu mestre, mas para atingir seu objetivo precisará enfrentar o Quarteto Fantástico.

Homem-Aranha 3


O sucesso como herói faz com que Peter Parker adquira uma confiança exagerada, deixando de lado as pessoas que se importam com ele. Até que precisa enfrentar o Homem-Areia e lidar com um estranho uniforme negro, que passa a usar. Dirigido por Sam Raimi (O Dom da Premonição) e com Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Thomas Haden Church, Topher Grace, Bryce Dallas Howard e James Cromwell no elenco.

domingo, 23 de setembro de 2007

A Passagem


Henry (Ryan Gosling) é um jovem estudante de artes que está em crise. Tendo seu suicídio metodicamente datado e planejado em sua mente, ele é um desafio para o psiquiatra Sam (Ewan McGregor), que assumiu o caso do rapaz após a estafa mental de sua psiquiatra anterior. Enquanto tenta impedir que Henry cometa o suicídio, Sam tem de lidar com seus próprios problemas. Especialmente porque o caso se parece muito com o de sua mulher, Lila (Naomi Watts), ex-paciente que também tinha idéias suicidas.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Na Teia da Aranha


O detetive Alex Cross (Morgan Freeman) recebe a ajuda da agente do Serviço Secreto americano Jezzie Flannigan (Monica Potter) para enfrentar Gary Soneji (Michael Wincott), um psicopata esquisofrênico que pleneja seus passos com a precisão de uma aranha tecendo sua teia e que acaba de sequestrar a filha de um senador americano, quando ela estava em seu colégio.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Quebra de Confiança


A trama se inspira no fato acontecido em 2001, quando o veterano e respeitado funcionário de FBI Robert Hanssen (aqui vivido por Chris Cooper, de Seabiscuit - Alma de Herói) passa a sofrer um processo de investigação, suspeito de ter vendido por mais de 20 anos informações da inteligência americana à antiga União Soviética. É o FBI investigando o próprio FBI. O Bureau coloca no escritório de Hanssen o jovem estagiário Eric (Ryan Phillipe, de Studio 54) com a missão de relatar detalhadamente cada passo do suposto traidor da pátria.

A Última Cartada


Um mágico é considerado o mascote não-oficial da máfia de Las Vegas mas, ao tentar ser um dos chefes, acaba expondo o grupo. Surge então o boato de que um chefe da máfia oferece US$ 1 milhão a quem matá-lo, o que atrai os assassinos da cidade. Dirigido por Joe Carnahan (Narc) e com Ben Affleck, Andy Garcia, Ray Liotta, Ryan Reynolds e Jeremy Piven no elenco.
bilheteria total

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Um Crime de Mestre


Willy Beachum (Ryan Gosling) é um jovem e ambicioso promotor público, que está no melhor momento de sua vida profissional. Ele tem 97% de vitória nos casos em que atuou e está prestes a assumir um cargo na famosa agência Wooton Sims. Porém, antes de deixar o cargo de promotor ele tem um último desafio pela frente: Ted Crawford (Anthony Hopkins). Após descobrir que sua esposa o estava traindo, Ted a matou com um tiro na cabeça. Parecia um caso simples, já que era um crime premeditado e com uma confissão clara, mas Ted cria um labirinto complexo em torno do caso de forma a tentar sua absolvição.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

A Colheita Do Mal


"The Reaping" é o novo suspense sobrenatural da Warner Bros., que possui a direção de Stephen Hopkins (de "Sob Suspeita" e ganhador do Emmy de Melhor Direção por "Vida e Morte de Peter Sellers"). A produção teve quer ser interrompida devido ao furacão Katrina, mas voltou ao local mais tarde, para ajudar nos esforços de reconstrução. Na trama, Hilary Swank (vencedora do Oscar por "Meninos Não Choram" e "Menina de Ouro") vive uma ex-missionária cristã que perdeu a fé quando sua família foi tragicamente morta. Desde então, tornou-se uma renomada especialista em desmentir ou explicar fenômenos religiosos. Mas quando ela parte até uma pequena cidade da Louisiana que parece sofrer as pragas bíblicas, ela percebe que a ciência não tem as respostas para o que está acontecendo. Assim, precisa recuperar sua fé se quiser combater as forças sinistras que ameaçam a comunidade. Idris Elba (de "Guerreiros Buffalo") ficou com o papel de um cientista que trabalha com a personagem de Hilary, enquanto David Morrissey (de "Capitão Corelli") é um personagem ao qual a protagonista começa a se apaixonar, mas acaba descobrindo um outro lado de sua personalidade. A pequenina Annasophia Robb completa o cast principal. Ela pode ser vista na nova versão de "A Fantástica Fábrica de Chocolate" e "Meu Melhor Amigo", sua estréia nas telonas. O diretor do filme comentou sobre o filme ter suas gravações concluídas no estado norte-americano de Louisiana, local onde foi atingido por boa parte do furacão Katrina. “Em nome de nosso elenco e nossa equipe, estamos satisfeitos em poder completar nossa filmagem em Louisiana e fazer parte dos esforços de recuperação da região,” disse Stephen Hopkins.
bilheteria do filme

Duro de Matar 4.0


Os Estados Unidos sofrem um novo ataque terrorista, desta vez através da informática. Um hacker consegue invadir a infra-estrutura computadorizada que controla as comunicações, transporte e energia do país, ameaçando causar um gigantesco blecaute. O autor do ataque planejou todos os passos envolvidos, mas não contava que John McClane (Bruce Willis), um policial da velha guarda, fosse chamado para confrontá-lo.
bilheteria do filme

O DESPERTAR DE UMA PAIXÃO


Baseado no romance O Véu Pintado, de W. Somerset Maugham, O Despertar de uma Paixão é a terceira adaptação deste livro ao cinema e é o resultado do trabalho de seis anos capitaneado principalmente por Edward Norton, protagonista e produtor do longa-metragem. Tendo estudando a cultura chinesa na faculdade, o ator logo se seduziu por esta história que se passa na China colonizada por ingleses durante os anos 20 e tratou de dar um cunho mais político à trama, característica inexistente na obra original.Norton interpreta o Walter, um bacteriologista inglês que mora em Xangai, capital da China. Numa de suas passagens por Londres, ele conhece Kitty (Naomi Watts), uma jovem rica e fútil que aceita casar-se com Walter pelo desejo de sair do sufocante ambiente familiar. Em Xangai, o casal conhece o vice-cônsul inglês Charlie Townsend (Liev Schreiber, namorado de Naomi na vida real) e sua esposa, Dorothy (Juliet Howland). O encontro muda a vida da protagonista para sempre: ela se apaixona por Charlie, com quem passa a viver um tórrido romance extraconjugal. Mas isso é só o começo da trama de O Despertar de uma Paixão, que se desenvolve melhor quando Kitty e Walter mudam-se (a contragosto da esposa) para uma pequena vila no interior da China, infestada por um surto de cólera. É lá que eles realmente conhecem melhor tudo que acontece no momento político chinês pós-revolução.Visualmente, O Despertar de uma Paixão é fascinante. As locações na China são muito bem exploradas pelas câmeras, comandadas pelo cineasta John Curran (Tentação). A direção de arte, bem como a recriação da estética oriental nos anos 20, é caprichada e fiel. O roteiro é muito bem-amarrado e mescla muito bem os dramas do relacionamento vivido entre os protagonistas ao momento político chinês daquela época. O filme mostra como a China estava sendo colonizada por ingleses após a revolução, dosando a forma como a cultura local era apagada pela ocidental naquele período. No entanto, os personagens não são desenvolvidos de forma a criar empatia junto ao espectador. Nada relacionando ao julgamento de suas atitudes pouco louváveis, mas eles não são aprofundados o suficiente para que o público se sinta envolvido com a história. Agora, a forma como a produção mostra a interação dos personagens orientais e os ocidentais é o grande trunfo deste belíssimo drama.


- Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Trilha Sonora.

- Recebeu 2 indicações ao Independent Spirit Awards, nas categorias de Melhor Ator (Edward Norton) e Melhor Roteiro.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A Estranha Perfeita


Rowena Price (Halle Berry) é uma repórter investigativa, que teve uma amiga assassinada recentemente. Ela descobre que este fato pode estar relacionado a Harrison Hill (Bruce Willis), um poderoso executivo de publicidade. Com a ajuda de Miles Haley (Giovanni Ribisi), Rowena decide se infiltrar disfarçada. Passando-se por Katherine, uma funcionária temporária na agência de Hill, e Veronica, uma garota com quem Hill flerta pela internet, Rowena passa a cercá-lo por todos os lados possíveis. Porém ela logo descobre que não é a única que está trocando de identidade.

SEGUNDA CHANCE


Com quase 40 anos de idade, a professora Louise (Laura Linney) se sente um pouco fracassada em sua vida pessoal e amorosa. Ela trabalha ao lado do ex-marido numa universidade e tem de lidar o com o fato de ter perdido seu grande amor, um jovem que namorou na época em que fazia faculdade e que morreu numa tragédia automobilística duas décadas atrás. Ainda por cima, sua mãe parece mostrar muita preferência por seu irmão, um viciado em fase de recuperação. Tudo parece começar a melhorar quando chega uma carta de admissão de um candidato que Louise terá de entrevistar. O jovem Scott (Torpher Grace) mexe profundamente com a vida dela quando eles se conhecem. As semelhanças do rapaz com antigo namorado fazem com que ela se apaixone e logo os dois começam a namorar. Só que a diferença de idade e as questões que envolvem seus sentimentos em relação ao passado fazem com que ela tenha muitas dúvidas sobre aproveitar ou não esta Segunda Chance de ser feliz.O elenco do filme traz Laura Linney, que foi o par romântico de Rodrigo Santoro em Mais uma Vez Amor. O ator Torpher Grace, que interpreta o jovem artista, recentemente apareceu nos cinemas brasileiros na comédia Em Boa Companhia.

Sonhando Acordado


Gary Shaller (Martin Freeman) está numa encruzilhada: seu trabalho não o leva a lugar algum, está com 34 anos e sua esposa, Dora (Gwyneth Paltrow), o enlouquece. Além disto Paul (Simon Pegg), seu melhor amigo, parece fazer mais sucesso a cada dia que passa. Gary sente-se deprimido e rejeitado, até conhecer Anna (Penélope Cruz). Ela é bela, sexy, elegante e, literalmente, a mulher dos seus sonhos. Porém Gary apenas consegue vê-la quando está sonhando, o que faz com que ele busque algum meio de prolongar ao máximo seu relacionamento com Anna.

Scoop - O Grande Furo


Jade Spence (Scarlett Johansson) é uma jovem estudante de jornalismo norte-americana que mora em Londres. Quando participa de um número de mágica, entra em contato com um fantasma que lhe revela que um belo ricaço (Hugh Jackman) pode ser um assassino em série. Seu espírito de jornalista fala mais alto e ela investiga o suspeito com a ajuda de um mágico atrapalhado (Woody Allen), mas acaba se apaixonando pelo milionário.

A Marca


Jessica Shepard (Ashley Judd) prende sozinha Edmund Cutler (Leland Orser), que era procurado por ser o principal suspeito de vários crimes. Elaé então promovida a inspetora do departamento de homicídios de San Francisco. O comissário John Mills (Samuel L. Jackson), que foi seu mentor, sente orgulho de Jessica como um pai sentiria da sua filha, pois cuida dela há vários anos, desde que o pai dela matou várias pessoas - inclusive a mãe de Jessica - e cometeu suicídio. Com a promoção, Jessica se torna parceira de Mike Delmarco (Andy Garcia). Logo os dois são chamados para investigar o assassinato de Bob Sherman (Jim Hechim), que estava bem desfigurado. Ainda assim Jessica o reconhece, pois tinham tido relações sexuais uma vez, após se encontrarem casualmente em um bar. Outros crimes acontecem e todas as vítimas foram parceiros sexuais dela e tinham a mão queimada por um cigarro. Esta marca era a "assinatura" de quem estava fazendo aqueles crimes. Gradativamente Jessica começa a acreditar que é a assassina, apesar de não se lembrar nada ou ter um álibi para os crimes.

Boa Noite e Boa Sorte


Dirigido por George Clooney. Com: David Strathairn, Robert Downey Jr., Patricia Clarkson, Ray Wise, George Clooney, Frank Langella, Jeff Daniels, Tate Donovan, Dianne Reeves.


É incrível (e deprimente) como uma história que se passou há 50 anos pode se revelar tão atual quanto aquela narrada em Boa Noite e Boa Sorte, mas o fato é que o clima conspiratório que hoje toma conta da sociedade norte-americana não é muito diferente daquele provocado pela canalhice de Joseph McCarthy durante a década de 50 – a diferença é apenas de termos, não de realidade: se na época aqueles que questionavam o temido senador eram taxados de “comunistas”, hoje os críticos de Bush e sua corja são questionados quanto ao seu “patriotismo” ou, em casos extremos, classificados como simpatizantes do terrorismo. E se o gigante da mídia William Randolph Hearst fazia as vezes de “voz oficial” do governo, hoje o papel é desempenhado pelo não menos repulsivo Keith Rupert Murdoch.


O que falta hoje, portanto, é alguém que ocupe o lugar de Edward R. Murrow, lendário âncora da CBS que, em seu programa See It Now, mostrou-se essencial, com suas críticas e reportagens, para a queda de McCarthy. Em vez disso, o jornalismo (brasileiro, inclusive) vem sendo dominado por figuras covardes e sem ética, cuja busca pela verdade cedeu lugar a interesses corporativos e políticos – como comprovam as matérias tendenciosas de determinada revista semanal, de um importante diário paulista e a linha editorial de um famoso jornalista-blogueiro que só se preocupa em noticiar denúncias que favoreçam seus interesses partidários. Assim, com sua coragem, seu zelo profissional e sua ética, a trajetória de Murrow é uma verdadeira aula de jornalismo - e Boa Noite e Boa Sorte deveria ser exibido nas faculdades no mínimo pelo belíssimo discurso feito pelo “personagem” na abertura e na conclusão do filme.


Ambientado em um período de tempo relativamente curto, de outubro de 1953 a maio de 54 (com exceção do já citado discurso, que ocorre em 58), o roteiro escrito por George Clooney e Grant Heslov passa a acompanhar Murrow e sua equipe já no auge do mccarthysmo, quando o clima de paranóia fomentado pelo senador levou a Aeronáutica norte-americana a expulsar um tenente em função de denúncias anônimas relacionadas ao pai do militar – algo que deu origem a um episódio de See It Now dedicado ao caso. A partir daí, Murrow e seu produtor Fred Friendly deram início às pesquisas que resultariam em um programa no qual usariam as palavras de McCarthy contra ele próprio – e, no processo, finalmente fizeram com que o público conhecesse a verdadeira face do senador e inspiraram ações mais críticas por parte de jornalistas e mesmo de políticos.


Voltando à cadeira de diretor depois de sua estréia na função com o ótimo Confissões de uma Mente Perigosa, Clooney se mostra bem mais contido desta vez, evitando movimentos de câmera rebuscados e concentrando-se mais nos diálogos e no clima de tensão inspirado pelo confronto entre duas grandes forças: a mídia e a política. Esforçando-se ao máximo para resgatar o visual e a mentalidade da época, o diretor utiliza peças publicitárias produzidas na década de 50 e inclui pequenos interlúdios ao longo da narrativa nos quais Dianne Reeves surge cantando clássicos do jazz que, além de conferirem um tom nostálgico ao filme, ainda comentam (mesmo que pontualmente) alguns dos incidentes retratados e sentimentos dos personagens. Aliás, as participações de Reeves representam as únicas intervenções musicais no longa, já que Clooney – seguindo uma tendência cada vez maior entre cineastas contemporâneos – descarta a utilização de trilha instrumental para ressaltar suas idéias.


Fotografado em preto-e-branco por Robert Elswit (colaborador habitual de Paul Thomas Anderson) de maneira incrivelmente elegante e evocativa (a utilização de sombras é magnífica), Boa Noite e Boa Sorte adota um tom sempre realista ao narrar uma batalha feroz travada apenas em edifícios – não há um único plano em externa em todo o filme. Neste sentido, a direção de arte assume um caráter ainda mais importante, recriando a redação e os estúdios da CBS de forma a ser fiel à realidade, mas também artisticamente expressiva ao conotar a frieza e a impessoalidade daquele ambiente. Além disso, os trabalhos de direção de arte e fotografia merecem elogios particulares pela forma impecável com que se encaixam às imagens documentais da época, já que Clooney utiliza fartamente imagens de arquivo para contar sua história.


Aliás, é vergonhoso que a montagem brilhante do espetacular Stephen Mirrione (Traffic, 21 Gramas) não tenha sido indicada ao Oscar, já que Boa Noite e Boa Sorte certamente poderia ser classificado como “ficção documental” em função das constantes transições entre cenas protagonizadas por atores e outras que trazem figuras da vida real – quando Joseph McCarthy surge na tela da CBS, por exemplo, vemos vários figurantes reagindo ao que está sendo dito, além da própria equipe do See It Now. A decisão de Clooney em empregar imagens de arquivo, aliás, confere uma credibilidade adicional ao filme, além de permitir que os espectadores contemporâneos possam, de fato, conhecer McCarthy – e seria difícil, diga-se de passagem, que um ator soasse convincente ao reencenar a resposta enviada pelo senador ao programa de Murrow: nervoso, ofegante e hesitante, McCarthy protagoniza um dos momentos mais constrangedores do filme, quando praticamente sofre um colapso nervoso diante das câmeras (e percebam que nem sequer estava falando ao vivo, mas em um depoimento gravado, o que indica seu nervosismo).

Mas Clooney, como ator, também faz um ótimo trabalho ao orquestrar as atuações: em meio a um elenco homogeneamente competente, Frank Langella (que também merecia ter sido indicado) merece destaque por conferir complexidade a William S. Palley, presidente da CBS, que é retratado como um homem dividido por suas obrigações corporativas e seu compromisso com a ética jornalística. Enquanto isso, Ray Wise vive o trágico Don Hollenbeck com simpatia e sofrida dignidade, ao passo que Robert Downey Jr. e Patrícia Clarkson trazem um pouco de leveza ao filme com os problemas do casal que deve esconder o matrimônio de seus chefes, que proibiam o casamento entre funcionários. Finalmente, o próprio Clooney, com seu carisma habitual, estabelece um ar de cumplicidade importante entre seu Fred Friendly e o Edward Murrow interpretado por David Strathairn.


Porém, Murrow, como não poderia deixar de ser, representa mesmo o centro de Boa Noite e Boa Sorte. Jornalista famoso, rico e prestigiado, ele jamais se acomoda com o status adquirido, buscando, em vez disso, assumir novas batalhas que façam jus à influência que sabe exercer sobre o público (alguns dos momentos mais bem-humorados do filme, aliás, são aqueles nos quais um visivelmente torturado e embaraçado Murrow é obrigado a fazer entrevistas triviais com personalidades em voga). Com um ar sempre formal diante e atrás das câmeras, o âncora (com seu indefectível cigarro – ele morreria de câncer de pulmão cerca de dez anos depois) tenta apresentar uma fachada sempre firme e segura, embora, em certos instantes, possamos perceber que há um homem de carne-e-osso por trás daquela armadura: ele sacode os pés nervosamente antes de uma de suas transmissões mais importantes e, após defender-se dos ataques de McCarthy, respira pesadamente depois que o programa chega ao fim. Tudo isso é retratado com grande talento por Strathairn, que enfrenta a dificuldade adicional de ter que viver um personagem contido, reservado, o que sempre é um desafio enorme. Por outro lado, a principal fraqueza de Boa Noite e Boa Sorte diz respeito justamente ao retrato excessivamente idolátrico que pinta de Murrow: o filme certamente ganharia mais dimensão caso tivéssemos acesso a outras facetas do jornalista, como sua vida familiar ou mesmo sua conhecida atração pelo perigo, que freqüentemente o levava a se arriscar em suas reportagens durante a Segunda Guerra e mesmo a correr imprudentemente com seu carro particular. (Aliás, sua insistência em desafiar figuras poderosas não seria uma manifestação desta sua idiossincrasia?)

Bravamente consciente da importância deste projeto, George Clooney usa Murrow como um símbolo (o que não impossibilitaria um retrato mais complexo) da virtude jornalística: depois de um programa como o que desmascarou McCarthy, sentimos que aqueles homens irão dormir com orgulho naquela noite. Em vez disso, o que temos hoje em dia é uma programação cada vez mais voltada para o fútil, o apelativo e o inconseqüente. A televisão tornou-se, como previu Murrow, apenas “fios e luzes numa caixa”, desperdiçando seu potencial informativo em prol do entretenimento na maioria das vezes vazio e descartável, tornando-se justamente uma arma importante para governantes que querem manter a população distraída e num constante vácuo de informações. Onde está o Globo Repórter da época de Eduardo Coutinho, com suas matérias e denúncias política e socialmente relevantes? O que interessa a vida sexual dos golfinhos ou a magia da pororoca diante do caos da violência e da miséria?

Boa Noite e Boa Sorte é mais do que um filme interessante e eficiente; é uma lição cívica como aquelas que o próprio Murrow se encarregava de ministrar em seu programa.

Horror em Amityville


Morar em uma grande casa que tenha espaço suficiente para os três filhos. Este é o sonho do casal George e Kathy Lutz, que reside em um pequeno apartamento. Quando a família encontra um local aparentemente ideal, o corretor de imóveis decide esconder um trágico episódio que aconteceu na mansão no ano anterior. O jovem Ronald DeoFeo matou os pais e seus quatro irmãos enquanto dormiam. Ele pegou a espingarda porque recebeu orientações de uma estranha voz em sua mente.Mesmo sem saber da história, o casal percebe que fatos assustadores começam a fazer parte da rotina na nova casa. Depois que a babá Lisa fala sobre os assassinatos para as crianças e os acontecimentos sobrenaturais passam a ficar mais intensos, Kathy resolve ir à igreja procurar ajuda. Mas a frustrada tentativa do padre preocupa a mãe, que decide proteger sua família da casa assombrada.Horror em Amityville é uma refilmagem de A Cidade do Horror de 1979, produção baseada no livro de Jay Anson. A obra, que leva o mesmo nome da versão mais recente, conta uma história real ocorrida em 1975. Dirigido por Andrew Douglas, o atual filme conta com o elenco formado por Ryan Reynolds, Melissa George e o garoto Jesse James